"Distanciamos as pessoas da literatura, para depois reclamarmos de um povo que manifesta tão pouco interesse pelos livros." Poderia ter citado outros trechos tão emblemáticos quanto este, mas o escolhi por eu ser justamente um mediador de leitura em uma biblioteca pública.
A contradição atestada na frase acima escancara uma realidade hipócrita: a Arte como exercício de Poder. Em nossa luta diária, buscamos convencer as pessoas de que os livros são, sim, para elas; que escrever — e publicar — é certamente um direito, que todas as pessoas deveriam saber que a literatura também é para elas, mesmo que elas não a queiram. E que está tudo bem a pessoa não querer uma relação estreita com a literatura, desde que a escolha tenha partido dela.
Hoje, estive mediando uma conversa com um poeta que disse justamente o mesmo. Que arte não é dom, não é talento. É trabalho.
Também citando a cultura japonesa (agora, no caso, os animes), há um modelo de personagem recorrente nas narrativas dessas animações. Em contraponto ao "gênio natural", que encarna a falácia do talento, temos o "gênio do trabalho duro", o cara que mete o louco e rala até o limite. E ele vence justamente pelo trabalho e pela consistência. Goku, Naruto (mais ainda que ele, temos o Rock Lee) e Guts são alguns exemplos de personagens que não são a "faca mais afiada do faqueiro", mas buscam aprimoramento e base sólida.
Claro, são idealizações e clichês, mas que dão esperança a pessoas como eu, que se consideram desprovidas de talento ou algo do tipo.
Adorei a reflexão!
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